Coisas da vida

Isto posto - isto, são muito as televisões e os alarmes que fazem soar - a vida vai retomando a sua normalidade. É bem certo, a vida está cada vez mais velha e, como todos os velhos, cada vez mais excêntrica. Nunca sabemos o que, em noite ou manhã quaisquer, lhe pode passar pela cabeça, uma fatal praga de gafanhotos, quiçá.
Vamos é já aprendendo, convém deixar a vida em paz. Sossegadinha, nos seus entreténs, no seu quotidiano de quem não gosta que fumem nas suas proximidades; ou de manchas que lhe roubem a transparência dos seus dias.
É, a vida não se veste, sendo - já notaram? - a única despida que divaga por aí, ante os nossos olhos, sem atentar contra o pudor e sem mesmo espantar alguém. Mas deu-nos agora, queixa-se ela, de implicarmos com isso, com a sua pureza.
E, furibunda, a vida correu-nos a baldes de água e trouxe o frio a empedernir-nos transidos. Tudo leva a crer, porém, terá ultimamente acalmado e fechado as torneiras, reconduzindo os cursos fluviais aos seus leitos.
Respeitemo-la. Não lhe tolhamos o passo. Porque a vida é imaginativa, sabe até fazer-se dragão e vomitar chamas... Depois é um aqui d'El.Rei!, as florestas ardem.


 

Comentários

  1. Pois é amigo João-Afonso a vida é uma danada. Por isso digo que é melhor vivermos a vida tal como ela se apresenta a cada um de nós do que ela atentar-nos o juízo.
    Os rios estão nos leitos por enquanto. Não tarda vem outra borrasca e lá vai tudo rio abaixo.
    Quanto a arder... Já faltará pouco em tempo e em floresta. Infelizmente.
    Pode ser que a partir de amanhã com novo inquilino Belenenses as coisas tendem a melhorar.
    Bom Domingo!

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  2. Meu caro, há muito tempo que em Belém não há inquilinos, há okupas.
    Mas por ora, de inundações não creio haver mais. A vida prosseguirá com os incêndios.
    Por aqui cozido à portuguesa.
    Bom domingo

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    1. "não há inquilinos, há ocupas". Uma grande verdade.
      Bom domingo

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  3. que deliciosa lucidez, caro Amigo João-Afonso. a Vida tem as suas birrinhas. beijo grande e feliz domingo 8 de março.

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    1. Olá Ana! Há quanto tempo! É, temos de lidar com as Birinhas da dona Vida. Um beijo grande também.

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  4. A vida tem os seus caminhos, por muito que nos queixemos, ela não muda.
    Boa semana, caro Amigo.
    Um abraço.

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    1. Há uma parte da vida que me parece depender de nós, caro Amigo.
      Um abraço

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  5. Caro João-Afonso Machado.
    Nos dias de hoje as mudanças por vezes são estranhas e a vida ou o seu relato no audiovisual viu nascer uma nova linguagem, tanto por parte dos jornalistas como dos comentadores e certamente o público comum nem compreende o que eles dizem. Temos assim "a janela de oportunidade", um novo tipo de janela; a palavra "expectável" eliminou a palavra "esperado" do dicionário; já "impactar" serve para tudo, deve ser um novo género de embrulho :-) e assim vamos mudando os hábitos ditados por uma entidade que se não é artificial é pelo menos desconhecida, já para não falar nas expressões inglesas usadas quando se fala na televisão, que oferecem ao comentador, um desconhecido "status", que só a ele interessa, esquecendo-se da bela língua de Camões.
    Gostei imenso da crónica.
    Um abraço.

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    1. Obrigado caro Amigo.
      Tem toda a razão, é a nova linguagem, sempre igual. Os "conteúdos " e as "sinergias "...
      Ebo inglês a tomar conta de nós.
      Boa semana. Um abraço

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  6. A vida é a via da aceitação e também da resistência, algo assim entre um estado anfíbio e um estado de alerta. Gozemo-la com naturalidade. Abraço (folhas de luar)

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    1. Sim, caro Amigo. Descontraidamente, e sem lhe provocar, à vida planetária, maleitas que depois revertam contra nós. Um abraço.

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