Gosto de o ver rodar nos dias grandes de festividade dos nossos Voluntários Famalicenses. Abrindo o cortejo e transportando sempre os mais antigos. E nele esses mais antigos são cada vez mais jovens, porque o tempo passa, as gerações também, e o centenário Cadillac permanece. Brilhante como uma pedra preciosa, ronronando pelos escapes histórias temerárias de um passado glorioso, feito de incêndios em cujo combate participou, com os escassos meios da época da sua vida activa.
É o autor de viagens desabridas com a sineta no lugar da sirene que chegaria muito depois; e a manga a desenrolar-se no cheiro de um poço qualquer onde fosse sorver a água bendita. Assim viveu o drama do salvamento de pessoas e bens à moda antiga, em que às meias horas sucedendo-se se chamava rapidez.
Correu o concelho, acorreu aos confinantes e aos outros depois destes. Foi uma juventude medida em milhares de quilómetros. Não se zangou com os progressos técnicos e suportou calado o mais recôndito cantinho da garagem, entre o viver de avós para netos. Resignadamente, sempre sem um queixume, assim aguentou a sua ostracização...
Até que um dia o repescaram. Deram-lhe um banho, poliram-no e repintaram e cromaram o seu garrido historial. O Cadillac, agora ancião, de alvas cãs na sua crónica, tomador do posto que é a antiguidade, sai de casa se a ocasião não for para menos.
E a cidade posta-se nos passeios em sentido. Vai ali um dos pioneiros dos Famalicenses, o senhor Cadillac. A cidade, toda ela, sente um calafrio: é a gratidão, o orgulho, um carinho imenso pela sua relíquia; está de passagem um naco suculento de quem tanto lhe valeu.

Vi as festividades, na televisão, e o vaidoso Cadillac a andar, sem precisar de um empurrão.
ResponderEliminarBoa semana, caro Amigo.
Um abraço.
Nem sabia de ter aparecido na tv. Obrigado, caro Amigo.
EliminarUm abraço.
Parabéns pela sua grande publicação au nosso grande elogio au nosso Cadillac .
ResponderEliminarObrigado meu caro conterrâneo.
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