Há muito tempo que convivo com esta chávena cuja origem vem do tempo da avó da minha mulher e que segundo esta, se trataria de uma oferta aos clientes compradores de café.
Um dia olhei para ela e não resisti mais. Fui à pesca da sua história, da sua origem e dos seus segredos.
Comecei pela Fábrica de Louças de Sacavém, entretanto desparecida mas que mantém um museu destinado a preservar a sua memória e que responde a quem se lhe dirige (infelizmente nem sempre é assim) verificando-se que o logotipo estampado na chávena, coincide com os existentes nesta fábrica, tratando-se da chapa com o número 162.
Era qualquer coisa mas continuava sem saber quem foi o responsável pelo sua criação, pelo que decidi apresenta-la na página entretanto extinta da SAPO Blogs e aí surgiu uma ajuda preciosa.
Um leitor comentou o post, referindo que um amigo seu possuía uma lata de 5Kg de Café com a mesma inscrição e que ia tentar obter mais informações. Quando me enviou várias fotos dessa lata verifiquei que se tratava da empresa S. Ribeiro, Ldª, mercearia sediada em Cintra no Largo Afonso Albuquerque 19/22, cujos números já não existem neste largo ou pelo menos não os consegui localizar.
Regressei à Fábrica de Louças de Sacavém, desta vez para obter informações sobre a firma S.Ribeiro, Ldª que, gentilmente, me envia a cópia de uma factura do ano de 1932 emitida a esta empresa. Não se pode comprovar que se trata de alguma encomenda destas chávenas brinde, mas comprova-se a existência do relacionamento comercial entre as duas sociedades comerciais.
Por fim, um documento emitido pela Direção Geral de Segurança Pública, do ano de 1933, dirigido a este estabelecimento, obtido junto do Arquivo Municipal de Sintra, levanta o sequestro à venda de cevadinha usada nas misturas de café o que confirma a existência desta sociedade e a relação com a comercialização de café.
Em conclusão, parece não existir dúvidas de que a mercearia existiu, tudo leva a crer que se dedicava à venda, entre outras coisas, de café a granel e, paralelamente, oferecia brindes para a promoção das suas misturas/lotes de café, considerando-se a Fama do Café de Cintra.
Fica a história esperando que apareçam outros contributos que permitam aprofunda-la.



Comentários
Enviar um comentário