Somos todos criminosos

 

Somos todos …, qualquer coisa, quando nos apetece.

Quer dizer, estamos sempre prontos a ser qualquer coisa que seja viral e nada melhor que um movimento gerado de forma popular, alegadamente espontâneo, contra algo que nos indigna e que simultaneamente expie os nossos pecados. Na América, por exemplo, surgiu o movimento Me Too destinado a mostrar solidariedade para com as vítimas de abusos sexuais.

O título deste post não é mais do que o movimento que se indigna com os alegados crimes praticados por políticos, de preferência do governo mas, simultaneamente, de solidariedade para com os mesmos e com todos os cidadãos porque afinal, alegadamente, praticamos os mesmos crimes com a diferença de não termos conhecimentos ou amigos suficientes para “ir ao pote” sacar ou não gastar (dependo do tema e da perspectiva)  tanta massa.

Somos todos criminosos da factura ou da falta dela se preferirem, do jeitinho, da cunha, do favor. Basta ir ao café para nos apercebermos, quão alérgicos somos à factura, mesmo quando nos perguntam se queremos a dita, com o nosso contribuinte e que aceitá-la (é este o termo porque não a exigimos) nos traria um benefício porque estamos a pagar os impostos que lá estão espelhados.

O que estranho é o barulho que se faz quando a coisa implica um político e guardamos silêncio sobre todos os outros que o não são. Eu percebo, um político não pode deixar de cumprir, o povo eas elites, não devem deixar de cumprir. Talvez a diferença entre o não pode e o não deve, sejam os ingredientes da receita que nos atrela, há muitos anos, ao nosso triste fado.

Pode-se sempre dizer que no primeiro caso está o exemplo e os valores envolvidos e no segundo não se exige o mesmo rigor porque afinal, não somos, nem queremos ser exemplo para ninguém. O exemplo tem que, obrigatoriamente, vir de cima, porque em baixo não se o valoriza, nem tão pouco quando somos nós, que não temos vergonha de olhar para a nossa cara quando nos barbeamos ou maquilhamos

Basta ir verificar os comentários que se seguem a uma notícia sobre um alegado crime que envolva um político – ministro – ficamos a saber que estes comentadores têm um apego a duas frases muito famosas mas que, alegadamente, contradizem o título do post e que são;

  • ·         Pagamos os nossos impostos para isto.
  • ·         É o país que temos.

O pagamos deve aplicar-se aqueles que não têm como não pagar e mesmo assim, há que contar com o empreendedorismo do desenrasca oportunista para extrapolarmos que há por aí muita gente que se diz pertencer ao grupo “pagamos os nossos impostos” que, se calhar, não os paga.

Já o quanto ao país que temos; Pois é isso mesmo, somos todos criminosos!



Tentei arranjar uma foto para ilustrar isto, achei que esta fica bem. Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.

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