Por supuesto, digo, - claramente

Na sua grandeza de historiador, Oliveira Martins, a propósito da definição das nossas fronteiras a norte, defendeu a tese de "até onde a espada chegou". Assim mesmo, - querendo com ela sustentar que a Galiza não é Portugal porque, embora longevo, D. Afonso Henriques morreu entretanto. Acrescente-se, as suas preocupações (de um chefe genial) situavam-se mais a sul, onde além de Coimbra residia a "terra de ninguém", vale dizer, um território hoje cristão, amanhã muçulmano, consoante o confronto e o poder das armas. E, dado o poderio dos cinco grandes clãs nortenhos, mais lhe convinha a companhia dos cavaleiros moçárabes e a conquista das praças-fortes até Lisboa, como meio de tornear as pretensões dos Sousas, Braganções, Ribadouros, Baiões e Maias sobre o Condado Portucalense. Basta, a este respeito, ler o contemporâneo historiador Rui Ramos...
Só por isso, minhotos e galegos não são um único povo. Por isso apenas. No mais não, e essencialmente nos dialectos respectivos - reduzidos quase ao pormenor do sotaque - e numa convivência que o rio Minho não atrapalha. Eles são mais como nós do que como os espanhóis. Daí o intercâmbio constante, os galegos em demanda do bacalhau minhoto, os minhotos ávidos do preço da gasolina galega.
E, no topo da fortaleza de Caminha, lá me encanto com o estuário e a foz do rio que é de ambas as margens, daqui as planuras e as praias, de lá Santa Tecla montanhosa. Irmanadamente... Por supuesto, perdão, para minhotos e galegos - claramente! 

 

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