No século passado - e somente decorreu um quarto de século sobre o dito passamento - a gente fotografava todo o santo fim de semana, ora na caça, ora em viagens, e, chegando ao Porto (é, eu misturara-me então com os tripeiros), punha os rolos a revelar na Boavista, ia à missa das sete em Nossa Senhora de Fátima e na volta para o jantar tinha as fotografias prontas, baratas e o brinde de um rolo para não perder a mania.
Ainda s câmaras digitais inexistiam ou escassamente eram conhecidas.
E as analógicas, nada facilitistas, eram a melhor escola de fotografia: havia que ser certeiro e poupar o rolo, não desperdiçar o local ou o momento; e estar seguro do que fazia porque o retrato era mudo e no que resultara... só a revelação o revelaria.
Nunca me desfiz da minha Canon analógica, levezinha, facilmente transportável e propiciadora de boas imagens. Aliás, quanto sei, a rapaziada nova está outra vez muito voltada para a fotografia analógica e os artistas do preto-e-branco não abdicam do rolo.
Ainda assim, as casas da especialidade extinguiram-se na minha terra. Totalmente. A imporem-me este programa a cada rolo (de 36 disparos) levado ao fim: o comboio urbano das onze até S. Bento, no Porto; a subida de Sá da Bandeira, em cujo topo mora a loja, para a entrega do rolo a revelar e a aquisição do seu sucessor (soma: 20,50 euros); o regresso à estação, a tempo de apanhar o da uma menos um quarto; a espera ansiosa de que a loja cumpra o prometido e envie por mail o "saco" com as fotografias em formato jpeg.
Nesta minha nova juventude, as caminhadas para e da estação são a pé e os bilhetes do urbano de preço reduzido a metade. Mas, ainda assim, acho que o mundo, em lugar de andar para a frente, - retrocedeu!
As velhas máquinas já só funcionam nas mãos dos velhos teimosos. As casas de revelações desapareceram por completo aqui para as minhas bandas só conheço a FNAC mas até eu fiquei com as máquinas, as fotos e slides antigos e deixei os rolos para trás.
ResponderEliminarÉ uma pena. O digital facilita, o analógico ensina muito. Podiam continuar ambos, lado a lado.
EliminarBoa noite, caro Amigo, o futuro não olha a meios para obter os seus fins.
ResponderEliminarUm abraço.
Mas lá teremos de o contrariar caro Amigo.
EliminarUma boa noite. Um abraço
Caro João-Afonso Machado
ResponderEliminarA senhora aqui de casa é que é a "artista" da fotografia e só no ano passado desistiu da sua máquina fotográfica porque avariou e já não havia quem a arranjasse , era velhinha mas a dona tinha uma grande estima. Confesso que gosto da fotografia a preto e branco e adoro ver as fotos do nosso casamento ainda a preto e branco, numa épca em que já estava fora de "moda". Também o local onde eram reveladas fechou por falta de clientes. E tem toda a razão quando diz que os tempos retrocederam, certas profissões desapareceram e agora a moda chama-se "inteligência artificial" e um dia destes ainda pensa por nós.
Um abraço e boa semana!
Caro amigo:
EliminarTenciono, no resto de anos da minha vida, nem me aproximar da inteligência artificial. Como tiro centenas de fotografias por ano, a mãquina digital dá muito jeito. Mas, em ocasiões mais calmas, volto à analógica que tanto gosto, apesar da trabalheira que mencionei.
Um abraço!