A Petisqueira do Godinho, em Matosinhos

Na minha ânsia de um recatado poiso para comer, em Matosinhos, alguém recomendou ao meu mais novo a Petisqueira do Godinho. Forneceu indicações em chinês cibernético e, dando nós à costa, foi sob a orientação do telemóvel do filho - Vire à direita, agora à esquerda... pronto, é já na próxima rua... - que, em artéria cujo nome ficou incógnito, passámos uma portada idosa e prudentemente afastada da algazarra britânica e espanhola no lado de lá...
Entrámos, pois. A receber-nos, um septuagenário avançado, o proprietário, e uma sala despida de gente e vestida com meia dúzia de mesas atoalhadas de pano, com guardanapos a condizer. Um luxo!, ainda por cima com exclusividade.
Sentámos de pronto, na ansiedade temerosa de alguém chegar, entretanto. E estreei-me em sardinhas assadas, este ano, e numas lulas grelhadas comme il faut. É claro, houve branco verde e sobremesa, de que nem notas tomei para memória futura.
Mas recordo a excelência das sardinhas e das lulas e, sobretudo, a paradisíaca petisqueira, tão longe da confusão e tão dentro de Matosinhos. Pedida a conta, percebemos que a casa não utilizava o multibanco. - Mil desculpas... - afligia-se o nosso anfitrião. - Não faz mal, caro amigo - tranquilizei-o - não faz mal: deixe-se estar assim, com toalhas e guardanapos de pano, boa comida, clientes a rarear e sem multibanco também; nós cá voltaremos...
E terminantemente proclamei não querer outro comedouro em Matosinhos!

 

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