Passos...

 

Os espessos passos alargam os caminhos

Tudo virá à superfície de um sonho

Um sono surgirá das águas

Um sono puro como um cristal a latejar

Os bichos serão humanos a agarrar o tempo

E as cidades não terão repouso para ninguém

Os dias serão espelhos maleáveis

Ondulantes secretos testemunhos

Alguém sairá dos retratos

Alguém se abrirá num grito horrível

As linhas das aves perderão o rumo

Cada um será um minério de fogo

Uma densa promessa a pairar sobre as cidades

Cada um será o rochedo de quartzo

A hora desprendida do frio

Onde a irremediável angústia

Terá a uniformidade de uma lupa

Que aumentará o cortejo dos aflitos

Daqueles que amanhã dormirão sobre as pedras

Ajoelhados perante um breve incêndio

Que não aquece.

Comentários

  1. Muito bonito caro Amigo. Mas há aí alguma tristeza e eu faço votos para que passe.
    Um abraço

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    1. Por vezes o "clima" materializa-se. Os tempos tentam adivinhar a poesia. E tudo escorre como tinta que tende a desgastar o papel. Abraço

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  2. Belíssimo e expressivo, gostei muito de ler. Deixo aqui a minha estreia também em comentários neste canto desgovernado para dar os parabéns pela poesia... e que Viva!

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    1. Agradeço a honra do primeiro comentário, e claro....que viva em nós a poesia....sempre

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  3. 👏👏👏
    Excelente!!! (como sempre!)😊
    Boa noite!✨

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    1. Obrigado MJ...:)))) bom fim de semana - não sei porquê mas estou a aparecer como anónimo

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