Entrou e sentou-se ao balcão, na mira de uma cerveja gelada que o aliviasse do bafo ardente do dia inteiro. E apercebeu-se: a cozinha tresandava a discussão lá dentro, o ambiente estava longe de ser o melhor...
- T. venha cá falar comigo! E sirva uma cerveja, tirada como você sabe!
Ele não demorou. Mas notava-se o nervosismo, a gola branca da cerveja era quase meio copo. Que marchou com avidez, assim como o seguinte.
Estava-se na meditação deste quando a bomba rebentou. - Puta! - exclamou o são-tomense, altíssimo. Ele e ela tinham vindo para junto da porta da entrada, e foi aí. - Puta! - E, desvairado, corria de um para o outro lado, - Vai fechar! Todos embora! - esbracejando como um louco.
Acabou calmamente a cerveja e dispôs-se a ir embora, nada interessado em cenas assim. Foi quando, na saída, a viu aninhada a um canto, toda nua.
O animal rasgara-lhe o vestido e despira-a em pleno passeio!
Voltou devagar para dentro e, de uma mesa grande, começou a tirar pratos, copos e talheres. E o são-tomense sempre em gestos rasgados - Vamos embora, não quero aqui ninguém!
Olhou-o fixamente, sem uma palavra sequer. Depois retirou a toalha da mesa e entregou-a à mulher, para com ela se cobrir. E de imediato, então, telefonou à polícia.
Quando o carro com dois agentes chegou - a cavalaria nunca chega a tempo... - já o homem fugira no seu automóvel. Ela foi levada para a esquadra e o auto, decerto lavrado, preambulando um inquérito criminal. O restaurante esteve três dias fechado e depois reabriu. Um dia só, dia esse rematado com outra poderosa sova que a mulher levou. Pelo telemóvel enviou uma mensagem à auxiliar: ia pôr termo à vida (sic)...
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