Os meus dias de escritor convergiram, vão lá mais de três anos, para o viver dos nossos Voluntários Famalicenses. De resto, colmatando uma falha grave no meu currículo, só desculpável pelo tempo de Universidade e por umas tantas décadas de profissão exercida no longínquo Porto - nunca fui bombeiro, como tanto gostava de ter sido. De modo que me abalancei ao trabalho, vale dizer à história da Corporação, em vésperas de comemorar o seu Centenário.
Contabilizei muitas tardes e manhãs na Biblioteca Municipal, consultando jornais antigos; entrevistei os "veteranos", que trariam episódios de um passado recente e tão distante, dada a velocidade com que tudo hoje se modifica; e demorei-me em quaisquer cantinhos da parada, observando, tomando notas, fotografando, fazendo o desenho mental daquela azáfama do vaivém das ambulâncias, que a sobriedade e a experiência dos bombeiros disfarça com um silêncio bem rotinado.
(O original já foi entregue e parece que a Direcção e o Comando gostaram bastante. Oxalá! Para mim, é o meu nome que está em causa, também.)
E fui agora convidado para a festa da despedida, ou seja, para uma fatia do bolo dos seus 99 anos. Lá estive. A cidade também esteve lá. Porque se os Bombeiros e a sua fanfarra saem à rua, ninguém permanece indiferente. Os tambores, os instrumentos de sopro, a marcialidade do desfile, as fardas e condecorações... é o lado bom da tropa e a absoluta ausência de belicismo que não seja contra as labaredas.
Os Bombeiros tem Comandante e Subcomandante, os adjuntos respectivos, dividem-se em secções, como qualquer regimento e as suas companhias. Fazem a continência, tocam o cornetim, respeitam uma hierarquia e sobem nela, conforme a antiguidade e os feitos. São, realmente, no cataclismo, no acidente, na saúde, os nossos primeiros defensores. Quem viva na Província disso se dá conta clara, e ser bombeiro é marca segura de honra e respeito.
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