A guerra na Ucrânia começou a 24 de fevereiro de 2022. No
dia seguinte era sexta feira, véspera de Carnaval, dia em que as crianças vão
vestidas (de corpo e alma) com as suas fantasias para a escola… alheias ao que
se passa no mundo!
Nessa sexta feira, fui ao jardim de infância (como era
habitual às sextas feiras), mas fui impregnada das atrocidades que se cometiam
num país, aqui ao lado.
Nas salas do jardim de infância suavam as mais audíveis
gargalhadas, as maiores alegrias, trazidas por um dia diferente… de máscaras… de
fantasias e de brincadeiras! Aquelas crianças podiam continuar felizes e
protegidas, enquanto outras não… outras fugiam às pressas sem presente, nem
futuro… sem Carnaval e sem sorrisos, fugiam do horror da guerra, que se iria
prolongar por anos!
Senti a alma pesada, o coração apertado e a injustiça na
pele! Foi difícil viver esta dicotomia de realidades, porque o mundo não
consegue proteger todos os seus filhos. Envergonhada por uma humanidade tão
desumana! Naquele dia foi difícil deixar-me levar pela tranquilidade e alegria
de quem cresce… difícil abster-me de sentir as lágrimas de outro povo!
Ao voltar, no trajeto de carro, a polícia fez-me parar, era
necessário deixar passar vários tanques e veículos de guerra, que seguiam para
a base da NATO ali perto. Não, a guerra não era longe, não era dos outros… era
aqui ao lado…e é com os nossos!
E assim fiquei, ao longo destes anos e da chegada novas
guerras… agarrada a uma impotência de nada conseguir fazer… a esta tristeza
profunda de não compreender os atuais passos da humanidade!
Educar não é isto… não é ensinar para o poder, para a
ganância, para a inveja… Educar apenas pode ter um único sentido: a empatia, a
solidariedade, paz e a compaixão! Por favor, lembrem-se disso! Estamos a
afastar-nos, num caminho sem retorno!
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