Está aí, à porta, a balnear época dos incêndios. O Governo não se tem cansado de lhe fazer múltiplas alusões e, em passagem recente pela zona de Pedrógão Grande, pude constatar o que são hectares e hectares de pinheiros e eucaliptos tombados nas tempestades do inverno transacto. Agora - lenha, simplesmente lenha, o regalo dos serões natalícios ou o desespero para muito breve.
Mantendo a minha convicção de que a maioria dos incêndios tem uma origem criminosa - criteriosamente escolhida para os dias de calor intenso e vento favorável, não espero senão as televisões transbordando notícias de casas, aldeias, vilas, com as chamas à porta. Tal é o quadro a partir do qual as competentes autoridades devem estabelecer programas adequados de combate a essa chaga.
Acredito no ministro Luís Neves. Um homem de acção e serviço, um não-político, com provas dadas na Judiciária. E de voz firme. Oxalá isso seja uma garantia de eficácia.
O termo comparativo é o desatino dos anos anteriores. Mais o passa-culpas que se generalizou entre SIRESP, bombeiros, Protecção Civil, forças policiais, meios de comunicação, autarquias e tudo o mais que estiver a jeito.
Assim o Ministério da Administração Interna consiga disciplinar as hostes. E lograr a desejável coordenação entre elas. Estou em que o futuro do Governo (que pode sempre contar com as demolidoras oposições) dependerá em absoluto da prevenção e, sobretudo, do combate ao apocalipse que se adivinha. O País está pronto a arder; pois que os responsáveis e os intervenientes saibam enchê-lo de água e o apaguem nas suas labaredas. Será, enfim, a primeira proeza palpável do Governo. E o seu passaporte para um futuro estabilizado.
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