Algo não batia certo. E não era a imobilidade liquida, antes o lodo acumulado no fundo daqueles arquivos. Sem dúvida significando a morte dos tempos do sol e do sal. De resto, uma placa - Museu - anunciava a entrada no cemitério e o meu filho foi indo, de lápide em lápide, traduzindo do inglês o que fora a vida nas salinas.
Deixei-me estar, conheci-as bem, recordo-as nos seus traços de marés e águas salgadas, o ror de homens e mulheres de volta delas, e os rodos de madeira a puxar o sal depositado, como quem limpa a neve à porta depois do nevão.
Agora é a estagnação e uma geometria terrosa deambulando com os curiosos. Já não os ângulos rectos em que os marnotos laboravam. Mas na outra extremidade dos espelhos, rectângulos e rectângulos aquosos além, ouvi o piar, vislumbrei o esvoaçar das aves pernaltas. É o lodo e os seus vermes da morte, afinal o vital sustento das mais dispersas variedades limícolas. Carreguei a máquina fotográfica enquanto o filho prosseguia a decifrar lápides. Afinal, era um dia de caça como outro qualquer!
Comentários
Enviar um comentário