No parque

Muitas vezes estão lá; outras nem tanto. Quando não, surgem inopinadamente; dias há em que os procuramos à saciedade, sem os encontrarmos... Os lugares mágicos do olhar estendido até se cansar de caminhar. É aí o sábio ponto do descanso e do murmúrio dos nossos botões.
O que depois acontece em redor ultrapassa-nos, perde todo o sentido. A montanha, a planície, a azenha, a viela ou o povoado, a cidade e o campo, dessubstantivam-se e talvez ganhem apenas o grau interrogado de algum barco em travessia ou o movimento nas pontes longínquas. A distância dá-se bem com a imaginação e todas as histórias começam num absurdo bailado de imagens (porventura reais) que a memória retem e leva para casa na autoritária determinação do confisco.
Entretanto, o pensamento abdica das suas fronteiras e consente o livre vaivém das sensações.
Escrever é ser livre. E a escrita principia assim. Não raro completa a circunavegação. Se sofrendo os tormentos do estreito de Magalhães ou as facilidades do do Panamá, é o que se verá depois.


 

Comentários

  1. A liberdade é uma grande magana, que não gosta que lhe apertem os calos. Mas, por vezes, há quem lhe queira cortar as asas e enviá-la para a prisão.
    Boa noite, caro Amigo.
    Um abraço.

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  2. Acontece caeo Amigo. Nem sei se cada vez mais ou cada vez menos. Eu prezo muito a minha e tento defendê-la.
    Um abraço. Bom fim de semana

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