São em Barcelos as minhas primaveris e outonais tardes de descanso a sós. Passeando entre as pedras dos meus antepassados, ouvindo as horas na livraria da senhora velhinha, sempre cheia de títulos a que não resisto, vagueando pelas suas ruas pedonais, à cata do seu comércio de coisas antigas, ou subindo às ruinas do paço ducal, a estender a vista sobre o Cávado, ainda muito asseado, a exalar a apelativo perfume do peixe nas suas águas.
Barcelos é isto e muito mais. Até mesmo a maior feira minhota, às quintas, um dia cuja minha quota parte cedo, por norma, aos galegos de Pontevedra...
... Só que desta vez fui lá. O artesanato cerâmico tem andado estranhamente estilizado, e eu quis apurar se na feira ainda se vendia personalidade minhota ou se lá também daria de caras com Dali.
Felizmente, encontrei-o cheio de saúde - o Galo de Barcelos, o mais genuíno estandarte português. (Creio mesmo que vai ser incrustado na bandeira portuguesa, logo abaixo das armas reais, aquando da Restauração, que sei de fonte segura estar para muito breve.)
E com o calendário pascal a antecipar os jogos da Liga, a Galo chegara há pouco, tinha ido à bola. E com que entusiasmo! Com que virilidade!
O nosso velho Galo, sempre galante e galador! Com o F. C. de Famalicão já quase na Europa, caríssimo Galo, as cores são as divinizadas mesmas, não há que hesitar. Tocar a galar neles por nós!
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