A propósito das migrações

Deixa-se estar, anafada, nada arisca. Que chovam sobre ela as fotografias, diria, até, a manápula atrevida e pronta a enfiá-la num frasco. Lagartixa talvez, sardanisca nunca. Falta-lhe o verde da fugidia agilidade entre as pedras. Não temos disto no Continente, pensei.
Pois não. Socorri-me dos meus manuais e neles consta - o mini-sáurio chama-se lagartixa-da-madeira, posto ser oriunda da ilha assim denominada, e emigrou para os Açores já no século XIX. Clandestino, nos porões dos navios, reza a História. E, sem fazer mal senão às moscas, disseminada por todo o arquipélago, com excepção das Flores e do Corvo, muito a ocidente.
Maravilhei-me com a novidade. E entrei em prontos planos enriquecedores da fauna continental. Estou em trazer para cá a lagartixa-da-madeira. De avião. É claro, há sempre as formalidades aeroportuárias a vencer. Talvez consiga tal desiderato, por exemplo confiando à guarda de uma assistente de bordo a gentil passageira, numa simples caixa de sapatos. Imaginemos, então, a frequente turbulência a uns tantos mil pés de altitude, o solavanco, a bichinha escapulindo-se entre o corredor do avião... Finalmente os voos da SATA se tornariam animados, apressados, pontuais até, tal a ganância na sua chegada e desembarque.
Sim, o plano é plausível, tem pernas e cauda para andar!


 

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