De Candeias às avessas

 

Projecta raios de luz à noite. Silhueta-se e é objecto de decoração durante o dia.

Ninguém lhe liga de dia, mas ligam-no à noite, onde revela a sua importância. Rebela-se ele e rebela-se quem por ele passa quando, de noite, não o ligam.

Esconde-se de olhares indiscretos, traído pela sombra, fica à vista de todos os olhares curiosos.

Suportado na parede com parafusos ou garras de ferro, ninguém o segura. A sua sombra não é segura para quem não gosta de apanhar sol.

Sombra viva na medida em que se desloca ao sabor do movimento de rotação da Terra.

Sombra que não sabe que existe, nem onde mora, arrasta-se pelas paredes onde não foi fixado.

Mesmo escondido, olha para a serra, espera, desespera, assiste à guerra desta Era, que lhe rouba a solidão diurna e noturna e o encanto das suas formas, não era suposto assim ser.


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