Sou, de todo, avesso à Apologética, posto no meu cantinho e nas minhas convicções, as quais não me sinto minimamente obrigado a propagar. E mesmo se vão sabendo que a bandeira portuguesa é azul e branca, isso resulta apenas de os meus escritos deverem ser lidos como um rasto autista que vou deixando por aí.
Também assim, por exemplo, quando me dou conta do entusiasmado surto das glicínias, e de quão vão bem as suas cores, de mãos dadas com a essência da Semana Santa. Mesmo ao jeito do florido tapete em cujo topo recebo a Cruz pascal, agora que o nosso Pai já não está connosco.
(É claro que está e estará! À sua maneira...)
E tudo me faz lembrar esse episódio relatado por Trindade Coelho acerca do poeta João de Deus, instantemente massacrado por uma beata coimbrã que lhe queria um desenho de Cristo Crucificado. Mas João de Deus não se despachava e um dia, já saturado, entregou à senhora o esquisso principiado. Indo ela embora, decerto desiludida, resignada, o poeta teve um lampejo, correu e alcançou-a. - Dê cá! - E, com uma borracha, safou o desenhado, escrevendo então na folha uma frase apenas - Rexurressit non est hic - aliás bíblica, proferida quando deram com o túmulo vazio de Cristo.
Por isso: a todos, a cada um, aqui desejo uma Páscoa feliz e vivida conforme a queiram viver!
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