A Autoestrada!

 

 12/12/2001

 

A auto-estrada para o Algarve

 

Aos três brasileiros, dois guineenses e um ucraniano, que faleceram na construção de um viaduto, no concelho de Almodôvar 

 

 

Já Dezembro era entrado

Mais um ano quase acabado

Vindos de tão longe, desafiar o fado

Na auto-estrada, seu fim foi chegado.

 

Madrugada negra, no viaduto começado

Quatro da manhã, ferro e cimento

No escuro, surgiu o desabamento

Seis vidas ceifadas, num momento.

 

Trabalhar, de noite ou de dia

Ao vento ou à chuva fria

À procura de uma melhoria

Numa vida cheia de monotonia.

 

Viestes do Brasil, da Ucrânia e da Guiné

Com muitos projetos e muita fé

Procurar, em Portugal, melhor sorte

Mas aqui, encontrastes a morte.

 

A trinta e cinco metros de altura

Numa vida muito, muito dura

Encontraram a sua sepultura

Numa noite muito fria e escura.

 

A construção da auto-estrada tem de seguir em frente

Ainda que esta venha a ser o cemitério de muita gente

Que aguarda a sua conclusão impacientemente

Porque anseia chegar, depressa, ao Algarve, quente.

 

                                               José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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