Ora faz chuva, ora faz sol e oro ferverosamente para que, quando estou na rua, faça sol e não chova.
Ora também gosto muito daquela afirmação do tubarão-macho para o tubarão-fêmea, ou seja para a“tubaroa”
– Tu baralhas-me!
Ora vai daí, quando ando de comboio, rezo para que não chova, por causa das estações do desconforto. Já bem basta a CP baralhar-me com os atrasos dos seus comboios. Ora nem mais.
Sempre que viajo de comboio, consulto o horário online, presumo que está actualizado e que é cumprido. O horário está lá mas a pontualidade é coisa que não faz parte da missão da CP.
Assim que entro em qualquer estação, sou logo bombardeado com um aviso sonoro (por acaso o som é de péssima qualidade) mas também admito que os meus ouvidos já estão um bocado avariados e percecionem como mau o som que será bom, e que consiste mais ou menos no seguinte;
O comboio proveniente de … e com destino a …, com partida prevista para
as xx horas, circula com um atraso de xx minutos. Pedimos desculpa pelos
incómodos causados.
Bem, também confesso que sempre é melhor ouvir que está atrasado os tais xx minutos do que ouvir que, o comboio daquela hora, a hora que tinha escolhido para viajar, foi suprimido.
Os avisos são tão frequentes que a CP deveria colocar em todas as estações e apeadeiros, mesmo nos que os comboios pouco lá parem, um painel publicitário gigante a pedir desculpas aos passageiros, porque me parece que isto já faz parte do (mau) funcionamento da CP e a senhora que faz estes avisos já está um bocado cansada e a precisar de reforma.
Também acho que o Nosso Senhor deveria multar a CP, porque a capacidade do Senhor desculpar é limitada, sem prejuízo de a multar e impedir de vir a prestar serviços de transporte no Céu.
Mas aquele dia fui brindado com mais umas novidades que me baralharam mesmo.
Estava eu na estação de Sintra, no dia 11/03/2026, para seguir no comboio sub-urbano das 8h 46m com destino a Alverca, quando sou brindado com o aviso de um atraso de 4 m, nada de importante, até me pareceu aceitável (que remédio, já apanhei pior) e até normal para o padrão de serviço que a CP costuma “oferecer” ao passageiro. O que me baralhou foi que o relógio montado na linha 1 indicava 3h e 30m (não sei se da manhã se da tarde) e o que estava montado na linha 2 indicava 8h 43m (esta última a hora certa).
Ora é certo que há horas de sorte, diz o cauteleiro, mas o problema aqui é que na mesma hora tinha duas horas diferentes e qualquer uma poderia ser a da sorte, não tinha como saber e também não havia nenhum cauteleiro a vender jogo.
Mas a CP ainda me reservava outra surpresa, quer dizer, baralhou-me outra vez. O regresso a Sintra não foi feito pela Linha com o mesmo nome, mas sim pela linha de Cascais onde me ia encontrar com um familiar que depois viria para Sintra de carro.
O Comboio que saiu do Cais do Sodré às 12 h e chegou a Cascais às 12 h e 40m, lá está com um ligeiro atraso, apresentava no display da carruagem onde viajei, o dia 19/02/2026 às 21h e 19m, isto é sim é um atraso digno de registo, quem sabe até digno de figurar no Guiness.
Ainda consultei online a lista das cautelas premiadas e andei pelo comboio todo à procura de um cauteleiro na esperança que ele estivesse por ali a fazer negócio e eu, chico esperto, conseguisse comprar uma cautela de Fevereiro, já premiada e assim ficar rico de um momento para o outro.
Infelizmente não encontrei, naquele comboio do passado, nenhum cauteleiro.
Ora bolas!
Nota final : Se acham que tudo isto é mentira fiz questão de registar com duas fotos a prova de que é verdade, sendo certo que na segunda foto, figura a marca de água do meu telemóvel que indica corretamente o dia 11/03/2026 e a hora 12h e 42m.


Ora bolas, a CP continua a não conseguir cumprir os horários. Com a maior encomenda de carruagens de sempre, talvez amanheçam melhores dias.
ResponderEliminarAdorei o raciocínio da cautela premiada! É a prova de que a CP não presta apenas um serviço de transporte, mas sim de ficção científica: entre Sintra e Cascais, você conseguiu a proeza de viajar no tempo. Como sintrense, confesso que já vi muita neblina a tapar o horizonte, mas esses displays a marcarem fevereiro em pleno março são um novo tipo de misticismo ferroviário. Ora bolas, de facto!
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