Dentro do teu tempo

 

Atravessa-te os olhos a imagem imaculada

  da água

Passeias pelas flores que dormitam no

  rosto ténue da noite

És a recusa do cansaço que se inclina

  sobre a essência breve da vida

Onde está a lâmina que caça o

  inverno gelado?

Por onde se estende a tua pureza de

  lago imaturo?

És a breve imagem do sonolento desabrochar

  da natureza

Sorris...és a flor de lótus deitada no

  lado luminoso da noite

És a ideia mais extensa...

Vives nos olhos que entendem a

  simplicidade das coisas

Vives no imensurável espaço que te separa

  dos braços esticados do dia

E um dia serás a escuridão sem tamanho

  dos tempos

A copa da árvore que se estende

  pela luz mortiça

Que deseja dormir dentro de um

   breve lembrar de corpos

Queres que a murta se desenvolva em

   redor de ti

E que o seu perfume te envolva numa

  carícia pura

Como se um milhão de aves pernoitasse

  dentro do teu tempo.

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