Nestes tempos de incerteza e de alguma loucura, as guerras parecem estar a suplantar, a uma velocidade estonteante, o uso do bom senso ou na versão sofisticada, o uso da diplomacia.
Hoje há cursos de tudo e para tudo, já para não falar de workshops em que em meio-dia se fica especialista em alguma coisa e com um diploma de participação. Por outro lado, à distância de um clique ou dois, podemos deixar-nos influenciar por quem sabe – o influencer, disto e daquilo, de tudo e mais alguma coisa.
Informação não falta, é tanta que já não sabemos lidar com ela, delegámos na IA mas, uma coisa é certa, sobre bom senso, não encontro, nem informação, nem cursos, nem workshops, nem publicações de influencers.
Ainda assim, perante este défice de bom senso estou actualmente muito mais descansado; Primeiro por saber, pelo Presidente Donald Trump, que a guerra está praticamente a terminar e depois por ficar a saber que os Bancos portugueses, segundo os seus CEO’s, estão muito mais resilientes do que na última década e portanto; Depositantes, Clientes, Colaboradores, em suma a sociedade, podem ficar tranquilos.
Mas, nestas coisas há sempre o mas, porque ainda me lembro de relevantes figuras nacionais, virem assegurar, na crise do subprime, que os bancos estavam bem e sólidos, mas foi o bolso dos contribuintes que pagaram caro a falta dessa solidez.
Espero que a solidez de que falam hoje, corresponda ao verdadeiro significado da palavra, para não abalar de novo a já fraca solidez das carteiras portuguesas.
Abaixo transcrevo um post que sobre os Bancos, que escrevi em Maio de 2018, para a Sapo blogs, com a respectiva foto (Bancos no Jardim da Vigia em Sintra) e o link para o que referem agora os nosso banqueiros sobre a solidez dos seus bancos e sobre o eventual impacto da mais recente guerra.
O que dizem os banqueiros actualmente.
Espero que fiquem (muito mais) tranquilos!
Os
Bancos diferenciaram-se dos bancos de jardim porque levaram os velhinhos a
levantarem-se destes para colocarem as suas poupanças nos primeiros.
Assim
os Bancos (do dinheiro, nada de confusões) começaram por pagar aos depositantes
para lhe confiarem o seu pilim e, depois de conquistada a confiança,
abandonaram esta boa prática para começar a apregoar que estavam a operar no
mercado segundo as melhores práticas.
Ora
se uma boa prática é substituída pelas melhores práticas, seria lógico que a
coisa fosse para melhor.
Contudo,
as boas práticas não corresponderam às expectativas legítimas diga-se,
das pessoas. Os Bancos praticamente deixaram de ter interesse no dinheiro dos
depositantes para passar a ter interesse nas comissões que cobram aos clientes
(depositantes ou não). Dá muito menos trabalho.
Os
Bancos acham que guardar o dinheiro dos depositantes é uma grande seca e ainda
por cima cara e, vai daí, que se lixe o dinheiro para remunerar, nós queremos
sim é emprestar, para receber juros e cobrar comissões.
Os
Bancos passaram assim a inventar dinheiro, tipo como se tivessem uma
fotocopiadora, afinada de acordo com as melhores práticas e voilá,
dinheiro para emprestar e dar lucro era coisa que não faltava, era o que
faltava! Para apimentar a coisa, aos juros recebidos, os Bancos
juntaram-lhe umas comissões.
Acontece
que a malta, vulgo ex-depositantes, gastou o que tinha e o que não tinha,
obtiveram crédito (barato é certo, melhor dito, ao preço da uva mijona) para
tudo e mais alguma coisa, inclusivé para comprar um casal de periquitos. Se não
me engano, chegou a existir crédito bonificado para compra de casas para jovens
casais de periquitos, com dispensa abastecida com umas boas arrobas de alpista.
Ainda
que as boas e melhores práticas associadas a códigos de ética, de conduta e de
bons relatórios anuais aprovados pelos accionistas e certificados pelos
melhores experts, o negócio deu para o torto e o que era barato, como diz
o povo, saiu caro.
Saiu
caro aos depositantes que ficaram sem poupanças, saiu caro aos clientes que
agora estão amarrados a empréstimos que têm de pagar (às vezes até de casas que
já não têm, porque as entregaram ao banco), bem como as respectivas comissões e
saiu caro a todos (mesmo que não fossem clientes ou depositantes) porque
ficaram a pagar impostos, a preços de mercado, o preço (custo) da prática
destas boas práticas.
Os
Bancos que andavam satisfeitos com as boas práticas e os reguladores
adormecidos pelas suas más práticas, conseguiram, ao que parece, fazer o
impossível e irracional. Colocar os devedores (quiçá até aqueles grandes que
não pagam e o sigilo protege) a receber juros pelos seus empréstimos e por
arrasto os depositantes a pagar pelos seus depósitos. É assim como a história
da cigarra e da formiga em que o moral da história passou a ser premiar a
cigarra e penalizar a formiga. Ainda bem que já não se contam estas coisas às
criancinhas, elas nã iam perceber
Ainda
dizem que a inovação é o futuro. Os Bancos concluíram agora que os seus grandes
gestores só eram bons em tempos de vacas gordas e agora dizem, ai, ai, que não
pode ser.
Até
o vendedor da banha da cobra, que tem fama de vender gato por lebre, não
conseguia fazer uma coisa destas.
Enquanto
espero que os Bancos se recomponham vou até aos bancos do Miradouro da Condessa
de Seisal, também conhecido por Jardim da Vigia, não para vigiar coisa nenhuma,
apenas para contemplar os três montes, o do Castelo, o do Palácio e o do Monte
Sereno. Ao menos ali, quando não há tuk tuks, sereno e não pago comissões.

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