A música que já não quero

 

Ouço-te como a uma música que

   já não quero

Sinto-te a desembocar em mim

Sinto o arrepio que guardo dentro

   da tua fotografia

 

O teu sorriso cristalino que

   me atravessa como uma

   vertiginosa alma longínqua

Guardo-o em mim

Sei que a tua lembrança me espera

Serena lembrança

Lembro-me de te sentir na minha boca

E ela é um lugar de memórias

Caio enquanto me devoro

Caio como uma árvore atingida

  por um raio

Levanto-me lentamente

Vejo-te ali...pantera rara

A devorar o meu rasto

As tuas mãos a segurar a vertigem do

   que fomos

Também eu me enredo sempre em ti

   algures

Também eu sinto a boca seca

A boca onde se escondem

   pressentimentos

Entardece...há um sabor a tempestade

Estranho-me…esqueço-me

Ainda seguro aquele ramo de lírios bravios

   brancos de nada

Agora tenho a alma carregada de

   palavras que não te posso dizer

Mas eu sabia que um dia acordaria

Que as tuas mãos seriam flores caídas

E eu seria a comoção dos olhos despidos

Comentários

  1. Tudo perde o seu encanto, até a música.
    Um abraço.

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  2. Guardamos as nossas memórias. Elas têm sempre um sabor único e eterno para o seu dono.
    Um abraço, caro Amigo.

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