A guerra

 

O Mundo em guerra

Não posso calar a revolta

Que me metralha a memória

De dia, de noite, a toda a hora

O ecrã da televisão ensanguentado 

A encharcar-me os olhos

Com imagens de corpos a fumegar

Como se fossem tições a arder

Nas explosões que os despedaçam

Que fazem o coração chorar 

E o corpo estremecer

Um poço de sangue a escorrer

Do montão de corpos a desfalecer:

A vida a morrer.

Não, não posso mais ver!

O, que no Mundo está a acontecer:

As crianças, as mulheres e os homens a arder.

Parem, para ver o que estão a fazer.

Tanta violência, tanta vingança

Que matam qualquer esperança

No sorriso de mudança

À imploração

Dos olhos espantados de criança

A condenarem

A atitude dos adultos, na matança

Como se a vida

Não fosse feita de amor e confiança

E os beijos de intolerância

Não disparassem

Ódios, fermentados nos séculos

De opressão

Infringida aos mais fracos

Pela ânsia de exploração

Quando o que se esperaria

Era ajuda, carinho e aliança.

 

José Silva Costa

 

 

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