O ribeiro, furioso, veio para a rua e não fechou a porta. Que a chuva o molhava, fustigava-o o vento...
E as águas, acordando na discussão, aproveitaram e fugiram, deu-lhes para lavrar o campo inteiro como picaretas sem fim.
E o mundo conheceu terras despidas, vergastadas até ao osso, comidas da carne onde o milho se faz grão e alimenta o gado.
É o instante da pedra revelada, a beleza do granito, os veios de quartzo. São os aluviões no galope das águas, sedimentando depois do freio. E o sonho de estranhos seres subterrâneos afinal inexistentes, momentos de espeleologia.
Até que as águas acalmem e voltem ao seu leito e adormeçam, restituindo aos arados a terra arável.
João-Afonso,
ResponderEliminarAs terras já não aguentam tanta água. Este tempo assim estraga mais do que dá. Sinais dis tempos? Não imagino.
Abraço e bom fim de semana.
Caro José: por esta ftgrf vês um campo em que a rocha está a menos de um metro da superfície. Com as águas da chuva a escavarem, a pedra, cheia de buracos e veios de quartzo ficou nua. Claro que não é bom, mas é bonito.
EliminarTerra virá a tapar o descoberto, esperemos.
Um abraço.
Uma coisa é certa. Tão depressa as terras não terão cede.
ResponderEliminarBom fim-de-semana, caro Amigo.
Um abraço.
Mais depressa morrem afogadas, caro Amigo.
EliminarUm bom fim de semana também.
Um abraço.
Um retrato magnífico da fúria e da paciência da terra. A natureza escrita com a precisão de uma picareta. É um privilégio ler esta "espeleologia" do mundo à superfície. Impressiona-me essa transição entre o caos das águas e o "instante da pedra revelada" — a beleza que a destruição, por vezes, desenterra. Do susto do aluvião à promessa da terra arável, o João-Afonso volta a dar-nos o ritmo exato das coisas. É escrita de coleção, para ler devagar enquanto esperamos que as águas acalmem.
ResponderEliminarMuito obrigado, caríssimo Daniel Marques, pelas suas incentivantes palavras.
EliminarUm abraço.
Caro João-Afonso Machado
ResponderEliminarA chuva não nos deixa e as águas tudo invadem sem dó nem piedade. Estamos perante um desses Invernos que conheci na infância, alguns nunca os conheceram, mas eu recordo-me bem deles com o quintal inundado e eu a ajudar a minha avó na luta contra a força da água, que teimava em invadir a casa.
Gostei de ler.
Um abraço.
Um abraço caro Amigo.
EliminarA novidade foi o furacão à moda das Caraibas.
Porque nos anos 60 calaram uma tromba de água que matou 500 pessoas na enxurrada, na periferia de Lx.
Um abraço