Estamos nisto...

 
O ribeiro, furioso, veio para a rua e não fechou a porta. Que a chuva o molhava, fustigava-o o vento...
E as águas, acordando na discussão, aproveitaram e fugiram, deu-lhes para lavrar o campo inteiro como picaretas sem fim.
E o mundo conheceu terras despidas, vergastadas até ao osso, comidas da carne onde o milho se faz grão e alimenta o gado.
É o instante da pedra revelada, a beleza do granito, os veios de quartzo. São os aluviões no galope das águas, sedimentando depois do freio. E o sonho de estranhos seres subterrâneos afinal inexistentes, momentos de espeleologia.
Até que as águas acalmem e voltem ao seu leito e adormeçam, restituindo aos arados a terra arável.


Comentários

  1. João-Afonso,
    As terras já não aguentam tanta água. Este tempo assim estraga mais do que dá. Sinais dis tempos? Não imagino.
    Abraço e bom fim de semana.

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    1. Caro José: por esta ftgrf vês um campo em que a rocha está a menos de um metro da superfície. Com as águas da chuva a escavarem, a pedra, cheia de buracos e veios de quartzo ficou nua. Claro que não é bom, mas é bonito.
      Terra virá a tapar o descoberto, esperemos.
      Um abraço.

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