Cheguei dois dias depois do nevão porque ele tolheu as estradas, deixando alguns carros de pernas para o ar, conforme vislumbrei no trajecto.
O frio ventoso cortava a barba. Mas... Montalegre enfim!
E foi a visita desta vila barrosã. Subindo às alturas do castelo, nem toda a neve derretida ou arrumada para um canto.
O momento exigia os calóricos comeres deste povo das instaladas temperaturas negativas. E assim lá foi uma alheira magnífica regada com uma canequinha de maduro tinto. O tempo bastante para recobrar forças, após tantos quilómetros nevosos e gelados.
Decorria a Feira do Fumeiro mas o gigantesco barracão, uma montra vasta de enchidos regionais, - não, obrigado. Montalegre personifica um mundo muito a norte, a que mesmo os nortenhos não estão habituados. A minha velha samarra é lá tão usual como o engravatado blazer citadino, e o boné, a tapar as orelhas, o normal guarda-chuva nas mãos sempre ocupadas em se desviarem das demais nos passeios. A minha vadiagem retomou o seu curso por recantos que já há uns anos não frequentava. Sempre colhendo imagens como os da lavoura montalegrense a ceifarem erva para os coelhos caseiros.
É uma terra rija, contando consigo apenas. Verdadeiramente - outro Portugal. Lá muito longe, depois dos montes, agora no lugar do frio mais frio, depois sob a torreira solarenga do Interior. Vigorosa como o seu castelo e o seu granito, intransponíveis ainda. Os de Montalegre gostam de ser o que são; oxalá não os impeçam disso.
Este ano voltou o nevão antigo, que só não assusta o antigo, que está habituado ao frio, muito frio.
ResponderEliminarBoa semana, caro Amigo.
Um abraço.
É verdade caro Amigo. Lembro-me de vagas de frio que hoje se calhar não seriam suportadas nem dentro de casa.
EliminarUma boa semana e um abraço.
Também em tempos andei por aí. Com uma simples diferença: era Verão. E ai Jesus... Se Mértola às 11 da manhã já marca 39 graus... olha que por esses lados não marcaria menos. Talvez, ainda assim, prefira o frio que o calor. Pelos menos há sempre um espírito tinto para nos aquecer! Abraço.
ResponderEliminarÉ isso, meu caro. No inverno ainda temos o tinto (há quem use remédios mais potentes), mas no verão... só enfiados na ribeira mais próxima.
EliminarAbraço
Belas imagens, João!😊
ResponderEliminarBoa noite!✨
Obrigado MJ.
EliminarUma noite descansada.
Caro João-Afonso Machado
ResponderEliminarAs imagens são magnificas, mas o frio deve ser enorme, mas caminhar por essas terras deve ser maravilhoso, desde que bem agasalhado. Esse almoço de alheira até me abriu o apetite.
Um abraço!
O frio aconselhava o passe-montaigne que usei. A alheira, vale a pena ir lá só para a comer. Aliás, em breve regressarei, para cobrir a barragem de Pisões, muito perto.
EliminarUm abraço.