Sei que regressas

 

Andei por todos os lugares

Onde as sombras são feitas de pedra

Senti o delicioso encanto dos jardins

Dormi o breve sono das ravinas

Onde o sol se encobre

Peso de ave distraída, floração de amores,

   pétala de corpo despido

Olho para ti e vejo os meus passos

Sinto o odor acirrado da fundura dos mares

Vejo em ti o frio da tempestade

Que cresce em mim como um

  outono raro

Sinto um bater de asas sonhadoras

Vejo o lado de fora de mim iluminado

  pelos teus olhos

Janelas....barcos...viagem

Há um não sei quê a repartir-se pelos dias

Uma mão atenta aos crepúsculos

Como uma velha trave que segura o meu tecto

Há também uma maldição que me segura

Uns olhos castanhos junto a uma mágoa

Apago os olhos ...sei que regressas...

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