Vinham elas dos quatro cantos do Reino. Negras, umas, negras da antracite de Penfiel ou dos carvões montalegrenses. Traziam-nas mais acastanhadas as gentes bragantinas, e classicamente cinzentas os alentejanos e até os beirões.
Na humidade do largo do pelourinho decorreu a primeira prova. Cronometrava-se a resistência ao frio, os pés da saparra casqueando a pedra gelada, esverdinhadamente escorregadia. E sobressaíam nessa hora as golas. Não há outras que valham as raposeiras nortenhas. Isso jamais. Nem tão-pouco a lhanesa com que recebem as ovinas, mais humildes, rasas nos pescoços, balindo como se ainda pastando na planície alentejana.
Eu digo que o frio, o verdadeiro frio soprado pelo vento como lâminas de barbear, esse frio é dos altos minhotos e flavienses e maroneses ou barrosões... As samarras são como o gado, mugem também os nomes da sua proveniência e aquecem os donos, não com o próprio bafo, antes pela espessura do surrobeco e a pelagem das golas.
Eram às dezenas, depois, indo felizes no rasto das irresistíveis carnes do cozido à portuguesa. Abancaram todas, comeram, beberam, penduraram-se nas costas das cadeiras de pau, suando já do braseiro na lareira da sala. E desembaraçadamente participaram no concurso da miss gola mais bela.
Ganhou a minha! É. Não havia mesmo quem se equiparasse à minha raposa. No modo rude destes falares, alguém a classificou "boa como o milho"...
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