Folhas caídas!

 

Folhas caídas

 

 

O vento a uivar pelas esquinas

As árvores a tiritarem de frio

Despidas, com o céu vazio

À espera do último arrepio

Sem folhas, mas aprumadas de brio

O vento com o seu assobio

A avisar, que o tempo é esguio

Que a água procura o rio

Com pressa de, ao mar, chegar

É aí que quer ficar

Até as nuvens a voltarem

A derramar, novamente, sobre a terra

Assim se completa mais um ciclo da água

Folhas caídas, árvores despidas

Alamedas atapetadas de folhas molhadas

 Que perderam o brilho, estão amarguradas

Destroçadas por serem espezinhadas

De um dia para o outro perderam a sua função

Tiram-lhes o coração

Agora, são lixo no chão

Choram, perderam a ilusão

De que eram úteis e eternas

Perderam as pernas, perderam tudo

Não voltam a vestir as árvores

Não voltam a ter a admiração do Mundo.

 

José Silva Costa

 

Comentários

  1. Um abraço meu caro Amigo.
    Talvez o alegre saber que hoje vi já, no meio deste temporal, os primeiros rebentos numa árvore. Se ela não rachar entretanto...
    Tudo de bom.

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    1. Boa notícia, caro Amigo, é uma esperança de que estas calamidades passarão. Mas , as mortes e a destruição, essas nunca se esquecerão.
      Um abraço.

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  2. Grande verdade nestas bonitas palavras. Mas é o normal ciclo da vida! Poarabésn e forte abraço.

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    1. O que não é normal são calamidades a que estamos a assistir. Muito obrigado e um abraço.

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