Já nos é difícil desenhar esse lugar frio na escala da temperatura, tal a sua raridade por cá. Talvez só pincelando um monte, um estradão a subi-lo e as suas bermas estranhamente esbranquiçadas. Vamos de automóvel, na tela, - um automóvel todo moderno, de calças arregaçadas sobre os buracos, e o ar condicionado ligado. Um regalo de cores quentes! Eis que atingimos, porém, o cume e a hora de saltar para fora.
O grauº negativo é isso mesmo. A navalha a raspar a pintura, de lâmina gelada a cortar-nos as bochechas e a ponta do nariz, as pobres orelhas. Choramos copiosamente, borratamos tudo, o corpo parece escorregar o lápis de cera para dentro do carro, outra vez. E os dedos das mãos?! Onde se escondeu a sua força e mestria de puxar, ao menos, dois garridos cartuchos da cartucheira?
Doem atrozmente os pés, e as pernas arrepiam-se do solo para norte. Expelimos fumo pelas ventas ou somente abrindo a boca. A tinta amolece, vítima da condensação. No chão escorregadio, o papel alvo, a pedra e o tojo, e o sol a rir-se num cabeço ao fundo.
Será aí talvez, o fim da obra-prima, o pousar da paleta. Acaba a história do grauº negativo, pensamos e debandamos. Mas ainda assim não é, embora apressados todos queiramos que seja.
Comentários
Enviar um comentário